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Carnaval seguro no Rio exige cobertura vacinal de 80%, diz relatório

Por Raphael Gonçalves Neto em 14/10/2021 às 21:49:51

Os pesquisadores Hermano Castro, da Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (Fiocruz), e Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enviaram proposta ao presidente da Comiss√£o Especial de Carnaval da C√Ęmara de Vereadores do Rio, Tarc√≠sio Motta, de indicadores para a realiza√ß√£o de um carnaval seguro em 2022. O relatório foi encaminhado também à Comiss√£o Cient√≠fica do munic√≠pio.

De acordo com Motta, o mais importante é a quest√£o da vacina√ß√£o e que a cobertura vacinal alcance n√ļmeros significativos, n√£o apenas na capital fluminense. "Como o carnaval é um evento que recebe muitos turistas na cidade, é preciso que a gente fique com 80% da vacina√ß√£o também no estado e no pa√≠s", disse ele. O √≠ndice se refere às duas doses completas ou à dose √ļnica.

Em entrevista à Ag√™ncia Brasil, o pesquisador Hermano Castro, da Fiocruz, explicou que h√° necessidade de estabelecer o mesmo percentual para a cidade, o estado e o pa√≠s, porque o Rio de Janeiro é o centro do carnaval no Brasil e recebe muita gente de outras localidades. "O ideal é que voc√™ tenha atingido a imunidade coletiva de 80%", afirmou.

Essa imunidade é baseada em um c√°lculo que se faz em epidemiologia, que tem a ver com a taxa de contamina√ß√£o, a taxa de transmiss√£o da variante Delta, que est√° de 5 a 9,5. Ou seja, uma pessoa pode passar a covid-19 para outras cinco e até nove. Antes passava para tr√™s. "É baseado nisso". Castro avaliou que, com o avan√ßo da vacina√ß√£o, é poss√≠vel que até o carnaval, se alcance os 80%. "O próprio munic√≠pio do Rio vai atingir esse patamar".

Média móvel

No relatório, os pesquisadores definiram outros indicadores para a capital do estado. Um deles é a média móvel de atendimentos na rede municipal de sa√ļde. "O indicador de atendimento na rede de urg√™ncia e emerg√™ncia por dia no munic√≠pio pode ser utilizado por meio do atendimento di√°rio e de sua média móvel de sete dias, computando casos de s√≠ndrome gripal e s√≠ndrome respiratória aguda grave", diz o relatório.

A proposta que est√° sendo submetida ao comit√™ de especialistas da capital fluminense envolve uma média móvel semanal menor que 110 casos, ou o mesmo que 1,63 caso por 100 mil habitantes, com o menor tempo e a menor quantidade de pessoas para garantir o acesso às enfermarias e às unidades de UTI. O indicativo é n√£o haver fila. "A gente colocou um n√ļmero de tr√™s pessoas, no m√°ximo, esperando uma hora. O ideal é que seja zero, como est√° atualmente. A fila est√° zero. N√£o tem ninguém esperando. Significa que h√° poucos casos sendo atendidos na rede municipal".

Outro indicador é a taxa de testes positivos. De cada 100 testes que s√£o coletados e levados para laboratório, a taxa de positividade est√° menor que 5%. "Na semana passada era 4%. Significa que de cada 100 amostras coletadas na popula√ß√£o para diagnosticar covid-19, só quatro vinham positivas. É uma taxa boa", disse Hermano Castro.

A taxa de cont√°gio da cidade, definida como R, que determina o potencial de propaga√ß√£o do v√≠rus, deve estar abaixo de 1 e, preferencialmente, em torno de 0,5, quando cada vez menos indiv√≠duos se infectam e o n√ļmero de cont√°gios retrocede. Esse n√ļmero deve ser sustentado por um per√≠odo m√≠nimo de sete dias. Segundo Castro, esses indicadores n√£o s√£o dif√≠ceis de atingir. "Eu acho que é um esfor√ßo governamental importante avan√ßar com as vacinas".

O presidente da Comiss√£o Especial de Carnaval da C√Ęmara, Tarc√≠sio Motta, defendeu que esses s√£o os elementos que devem ser observados para que se tenha um carnaval seguro. "É bastante prov√°vel que isso aconte√ßa. Nós estamos com todos esses indicadores melhorando. Se nada de muito ruim acontecer no caminho, podemos ter um carnaval alegre e seguro". Ele espera que o Comit√™ Cient√≠fico avance em suas an√°lises para que, até o dia 2 de dezembro, o relatório final da comiss√£o possa apresentar suas recomenda√ß√Ķes à prefeitura do Rio. "A quest√£o é acompanhar, fiscalizar e fazer o monitoramento desses √≠ndices".

Motta refor√ßou que se nada de anormal acontecer de agora até fevereiro de 2022, o carnaval poder√° ser realizado. "A nossa quest√£o é essa: só poderemos ter carnaval se ele n√£o for um risco para a vida. Ele n√£o ser√° um risco para a vida se esses indicadores estiverem monitorados. Se for necess√°rio distanciamento e m√°scara, n√£o haver√° carnaval".

Orienta√ß√Ķes

Os pesquisadores sugeriram também orienta√ß√Ķes protocolares. Para a rede hoteleira, por exemplo, a recomenda√ß√£o é que antes e durante o carnaval, os hotéis cobrem dos hóspedes o passaporte vacinal. "Só pode hospedar no hotel, no hostel (albergue) ou no airbnb (hospedagem em resid√™ncias privadas) se tiver com a carteira de vacina do local de proced√™ncia, seja de outro pa√≠s, outro estado ou outro munic√≠pio fluminense. Isso deve ser uma exig√™ncia preliminar, para que o hotel possa só admitir hospedagem se tiver com a carteira de vacina√ß√£o em dia".

Hermano Castro lembrou que o relatório busca, realmente, um carnaval seguro. "Nessa festa, é dif√≠cil a gente propor uso de m√°scara, a n√£o ser a m√°scara de carnaval, e distanciamento social. S√£o coisas dif√≠ceis". Ele considera que para haver carnaval e aglomera√ß√£o, com pessoas próximas das outras, sem a m√°scara, é necess√°rio ter padr√Ķes e indicadores bem r√≠gidos para que o ambiente seja o mais seguro poss√≠vel.

O presidente da Comiss√£o de Carnaval da C√Ęmara, Tarc√≠sio Motta, sugeriu que, em ambientes fechados, possa haver a cobran√ßa do passaporte vacinal. À prefeitura, disse que poderiam ser montados estandes de testagem para os foli√Ķes, com a realiza√ß√£o de estudos sobre como o v√≠rus vai se comportar ao longo do carnaval, para fins de controle.

Audi√™ncia p√ļblica

O relatório foi uma resposta dos pesquisadores da Fiocruz e da UFRJ à audi√™ncia p√ļblica da qual participaram, promovida pelos carnavalescos do Rio e pelas autoridades p√ļblicas cariocas, visando ao encaminhamento de sugest√Ķes para o comit√™ cient√≠fico do munic√≠pio.

Hermano Castro lembrou que antes do carnaval, o Rio de Janeiro ter√° a experi√™ncia do réveillon. Por isso, acredita que os membros do comit√™ j√° estariam estudando os indicadores e orienta√ß√Ķes propostos no relatório. "Também o réveillon recebe milhares de pessoas de todo o mundo", destacou.

A cobertura vacinal na cidade do Rio est√° em quase 60% atualmente. Hermano Castro acredita que j√° em novembro, atingir√° 65%, chegando em dezembro a 80%. "Como o carnaval é em fevereiro, acho que a gente consegue atingir esses indicadores". No Brasil, a cobertura est√° mais lenta, da ordem de 46%. Mas, com a primeira dose, o percentual de brasileiros alcan√ßa 70%. "Contando que todos esses v√£o tomar a segunda dose no Brasil, voc√™ j√° tem hoje 70% vacinados. J√° est√° bem perto. O que n√£o pode é faltar vacina". No estado do Rio, a vacina√ß√£o est√° mais atrasada (em torno de 41%), porque h√° munic√≠pios que n√£o vacinaram nem 10% da popula√ß√£o ainda. Para Castro, é importante pressionar as autoridades para vacinar a popula√ß√£o. "É fundamental".

Ele lembrou ainda que os indicadores ajudam as autoridades a decidir o que pode e o que n√£o pode ser liberado no carnaval. Se o passaporte vacinal for exigido, por exemplo, reduz o risco de pessoas n√£o vacinadas irem para a cidade, além do risco de transmiss√£o, adoecimento e morte durante o próprio carnaval, embora o impacto disso só seja percebido após o evento.

Outras medidas

O relatório indica outras medidas a serem tomadas pelas autoridades. Entre elas est√° a exig√™ncia do passaporte vacinal em espa√ßos fechados, como no Sambódromo, clubes, bares e casas de festas, uma forma de prote√ß√£o e direito coletivo em sa√ļde p√ļblica. Além disso o levantamento sugere controle de fronteiras aéreas e terrestres, principalmente com a exig√™ncia da vacina, garantia de trabalho seguro nos barrac√Ķes para os colaboradores, com a oferta de um projeto de seguran√ßa sanit√°ria, onde possa ser oferecida a testagem para os trabalhadores, distribui√ß√£o de m√°scara, distanciamento f√≠sico e higieniza√ß√£o das m√£os.

O documento sugere também a constru√ß√£o de mecanismos p√ļblicos, como um Painel do Carnaval, para o monitoramento dos indicadores ao longo de todo o processo, come√ßando, no m√≠nimo, 100 dias antes do carnaval, e terminando até 30 dias depois a festa. Um sistema de divulga√ß√£o p√ļblica dever√° ser montado para informar as agremia√ß√Ķes e coletivos carnavalescos sobre a seguran√ßa sanit√°ria e a viabilidade do carnaval, bem como calcular o impacto sobre a cidade após o evento.

Fonte: Agência Brasil


Fonte: Agência Brasil

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