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Pesquisa: 80% dos brasileiros estão preocupados com acesso à saúde

Por Raphael Gonçalves Neto em 10/11/2021 às 09:03:45

Para 81% dos brasileiros, a crise da pandemia da covid-19 fez aumentar o receio do acesso a tratamentos médicos e, consequentemente, a preocupa√ß√£o com o acesso à sa√ļde. Entre os que possuem menor poder aquisitivo, com renda de até cinco sal√°rios m√≠nimos, a preocupa√ß√£o aumentou muito. É o que mostra levantamento encomendado pela Associa√ß√£o Nacional das Administradoras de Benef√≠cio (Anab) ao instituto Bateiah Estratégia e Reputa√ß√£o - a Pesquisa Anab de Planos de Sa√ļde.

O documento tra√ßa um panorama dos planos de sa√ļde no pa√≠s e traz o perfil de seus benefici√°rios. Para levantar os dados, as entidades fizeram contato com mais de 1 mil usu√°rios a partir de 16 anos de idade, com amostras em capitais, regi√Ķes metropolitanas e cidades do interior. Também consideraram fatores como g√™nero, idade, escolaridade, renda familiar e ocupa√ß√£o.

Quando observados os dados de g√™nero, 52,5% das mulheres sentiram que a preocupa√ß√£o com a sa√ļde aumentou muito com a pandemia. Entre os mais velhos, 54% dos que t√™m 50 anos ou mais indicaram que a preocupa√ß√£o aumentou muito.

Em rela√ß√£o à renda familiar, o maior percentual de desconforto é entre aqueles que ganham de 2 a 5 sal√°rios m√≠nimos (84,1%). Entre os brasileiros que ganham até 2 sal√°rios, 50,3% indicaram que a preocupa√ß√£o aumentou muito.

Prevenção de doenças

Para o presidente da Anab, Alessandro Acayaba de Toledo, o estudo é uma s√≠ntese do atual momento que vive o pa√≠s, e reflete o olhar do brasileiro para quest√Ķes de sa√ļde e preven√ß√£o a doen√ßas depois da pandemia.

"Nunca o brasileiro esteve t√£o preocupado com a sa√ļde como hoje. A pandemia potencializou esse cuidado e a instabilidade econômica é uma amea√ßa para a manuten√ß√£o do plano, especialmente entre os benefici√°rios com menor poder aquisitivo. O mercado tem dado resposta com o lan√ßamento de produtos a pre√ßos mais atrativos e até sugerindo a portabilidade de car√™ncias. É fundamental que o consumidor tenha conhecimento dos direitos para tomar as melhores escolhas para sua sa√ļde, inclusive a financeira."

Plano de sa√ļde próprio

Os consumidores enxergam o plano de sa√ļde como uma conquista, assim como ter um imóvel, um ve√≠culo, realizar uma viagem ou ter investimentos, mostrou a pesquisa. O plano é a terceira maior conquista do brasileiro em 2021. Na faixa et√°ria acima de 50 anos, o benef√≠cio só perde para a casa própria em import√Ęncia.

Quanto menor a renda familiar e o grau de escolaridade, maior é o reconhecimento do plano. Ao menos 18,7% dos respondentes que ganham até dois sal√°rios m√≠nimos indicam o benef√≠cio como conquista, da mesma forma que 21,8% dos entrevistados com o ensino médio também o reconhecem assim.

Em rela√ß√£o a idade, essa percep√ß√£o é ainda maior entre os entrevistados com 50 anos ou mais, que representam 25,5%. Mas é na parcela da popula√ß√£o aposentada que o plano assume papel principal e toma a frente no ranking das conquistas dos brasileiros, deixando casa própria e automóvel para tr√°s. Ao menos 50,6% dos entrevistados aposentados indicam o plano como conquista.

"As administradoras t√™m percebido que a procura por planos de sa√ļde t√™m aumentado. Os dados da própria ANS [Ag√™ncia Nacional de Sa√ļde Suplementar] mostram que desde o in√≠cio da pandemia mais de um milh√£o de pessoas contrataram um novo plano de sa√ļde, isso se d√° principalmente pela crise pand√™mica que vivemos em raz√£o do novo coronav√≠rus. Em fun√ß√£o da crise econômica, é curioso que, mesmo que o poder aquisitivo do consumidor esteja menor, ele n√£o est√° abrindo m√£o de ter um plano de sa√ļde. Esse é um dado que a própria pesquisa refor√ßa, diante da import√Ęncia que o plano tem para os entrevistados, tendo ocupado a sua terceira posi√ß√£o na lista de desejos, empatado tecnicamente com automóvel e passado para a primeira posi√ß√£o desse ranking quando o assunto é servi√ßos", afirmou Toledo.

Segundo o presidente da Anab., aqueles que pretendem deixar o plano de sa√ļde devido à perda do poder aquisitivo ou mesmo por ter sido demitido, as administradoras t√™m indicado a solu√ß√£o.

"As administradoras de sa√ļde auxiliam essas pessoas inclusive para o exerc√≠cio da portabilidade, ou seja, para que elas possam migrar ou mudar de plano ou operadora por um pre√ßo mais convidativo, um pre√ßo menor, sem perder as suas necessidades de coberturas assistenciais e n√£o havendo a necessidade de cumprir mais os prazos de car√™ncia do seu plano de origem."

Planos e SUS

O plano de sa√ļde tem uma rela√ß√£o direta com a percep√ß√£o de seguran√ßa do benefici√°rio sobre sua sa√ļde, revelou a pesquisa. Ao menos 69% disseram que o benef√≠cio é uma salvaguarda em casos de necessidade, enquanto que para 31% é uma necessidade recorrente.

Quando precisam utilizar os serviços do plano, a maioria dos beneficiários recorrem a consultas com especialistas (69%), seguida de exames (13,3%) e emergência (8,7%).

O levantamento da ANAB também verificou que mesmo com plano, 42% dos benefici√°rios utilizam servi√ßos do Sistema √önico de Sa√ļde (SUS). O servi√ßo de vacina√ß√£o é o mais mencionado entre o uso no SUS, indicado por 49,3% dos respondentes. A procura é maior entre os mais velhos e a popula√ß√£o com menor poder aquisitivo.

Na percep√ß√£o dos benefici√°rios, a agilidade no atendimento é o fator mais importante em um plano de sa√ļde, indicado por 24,2% dos respondentes. A facilidade de autoriza√ß√£o de

procedimentos aparece em segundo lugar com 15,4%, seguida pela rede médica contemplada no contrato, com 14,4%. No top cinco aparecem ainda servi√ßos oferecidos (11,1%) e rede de profissionais (10,9%).

Custo-benefício

O estudo da Anab também analisou a rela√ß√£o entre custo e benef√≠cio do plano de sa√ļde, na vis√£o dos clientes. Para 49,2% dos entrevistados, a import√Ęncia de ter um plano de sa√ļde aumentou muito com a pandemia, no entanto, n√£o s√£o receptivos a poss√≠veis aumentos.

A resist√™ncia é ainda maior entre os homens, que representam 51,5% dos que reconhecem a import√Ęncia do plano, mas n√£o est√£o dispostos a pagar mais por isso. Em rela√ß√£o à idade, o percentual é maior entre os respondentes de 40 a 49 anos, que correspondem a 56,1% dos que n√£o se disp√Ķem a valores adicionais. No geral, apenas 20% dos entrevistados se mostram abertos a pagar mais pelo plano de sa√ļde.

Em contrapartida, mesmo com as possibilidades de negocia√ß√Ķes de pre√ßo com as operadoras ou a mudan√ßa do plano via portabilidade de car√™ncias, 91,4% dos respondentes preferem deixar o benef√≠cio como est√° e apenas 7,8% fariam mudan√ßas para redu√ß√£o de custo.

A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 28 de setembro por meio de entrevistas telefônicas com 1006 respondentes em 420 munic√≠pios do pa√≠s. De acordo com o instituto Bateiah Estratégia e Reputa√ß√£o, a margem de erro é de 3%.

Agência Brasil


Fonte: Agência Brasil

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