LAPEC
LAPEC

Fiocruz cria observatório para discutir o SUS

Por Agência Brasil em 10/07/2023 às 20:28:52

Foto: internet

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou na tarde desta segunda-feira (10) o Observatório do Sistema ├Ünico de Sa├║de (SUS), um espaço para discutir soluções para o sistema p├║blico de sa├║de brasileiro. A proposta é que participem integrantes da academia, da gestão p├║blica e também representantes de movimentos sociais e dos trabalhadores e usu├írios do SUS, para tratar de problemas crônicos e novos desafios. Ser├í poss├şvel participar das atividades presencial e remotamente.

O observatório é vinculado à Escola Nacional de Sa├║de P├║blica Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), e tem como inspiração outros observatórios criados na ├írea da sa├║de. Um deles é o Observatório Covid-19 da própria Fiocruz, que produziu monitoramentos e proposições relevantes durante a pandemia, como o acompanhamento semanal da ocupação de leitos de terapia intensiva.

O vice-diretor da Escola de Governo em Sa├║de da Ensp/Fiocruz, Eduardo Melo, anunciou que o primeiro semin├írio a ser realizado pelo observatório ser├í em 1┬░ de setembro, com o Financiamento do SUS como tema. O evento ter├í parceria da Associação Brasileira de Sa├║de Coletiva (Abrasco).

"A gente tem uma expectativa muito grande de fazer um evento que não só analise essa questão, mas elabore proposições para esse subfinanciamento crônico que a gente enfrenta no SUS", disse.

Melo destacou que o observatório poder├í servir como um lugar de encontro entre diferentes pontos de vista sobre o SUS, para produzir uma visão de conjunto sobre os temas que serão abordados.

Representando o Ministério de Sa├║de no lançamento, o assessor especial da Sa├║de dos Territórios Vulner├íveis Valcler Rangel ressaltou que o SUS é a maior ferramenta de defesa da vida no pa├şs, e que os debates sobre ele envolvem também questões econômicas, pol├şticas e interseccionais, além da crise clim├ítica e a inclusão das populações e seus territórios.

Continua após o an├║ncio


"A vitória cotidiana contra a destruição do SUS, contra as ameaças ambientais, contra a fome e contra a pobreza tem que ser um desafio colocado também para esse observatório. Não pode ser apenas técnico, voltado para a tecnologia, que o SUS tem muita", disse.

Além da apresentação da proposta, a Ensp/Fiocruz promoveu uma confer├¬ncia inaugural com o médico sanitarista Gastão Wagner de Sousa Campos, doutor em Sa├║de Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O t├ştulo da confer├¬ncia questionava se o SUS estava sob ameaça ou diante de uma janela de oportunidade, e o pesquisador iniciou sua apresentação afirmando que, na verdade, ambas ocorrem simultaneamente.

"Apesar de o SUS estar na Constituição, na lei, tem muita gente querendo retroagir à Constituição, em relação ao SUS e em relação aos direitos trabalhistas, por exemplo", disse. Ele ressaltou as ameaças pol├şticas como as pressões para derrubar a ministra da Sa├║de, N├şsia Trindade, por parte de grupos que desejam assumir o ministério. "A proposta de sa├║de que eles t├¬m é de enfraquecimento do SUS, como foi nos governos [Micherl] Temer e [Jair] Bolsonaro. Eles querem privatizar, terceirizar, comprar serviços. O presidente Lula disse que não vai ceder, mas é uma ameaça constante".

O sanitarista também v├¬ uma janela de oportunidade com a nomeação de uma ministra que se declara "ministra do SUS" e defende seus princ├şpios, uma vez que o ministério tem grande capacidade de articulação do sistema e de indução de suas diretrizes em outros entes federativos.

"Ter o Ministério da Sa├║de pró-SUS, proativo, antirracista, antimachista, pelo desenvolvimento econômico, pelo meio ambiente, é muito importante", disse Sousa Campos.

Entre alguns desafios dos próximos anos, ele destacou a necessidade de dobrar a cobertura da atenção prim├íria, que hoje chega a cerca de 50% da população brasileira. Para tal, ele defendeu que é preciso avançar em pol├şticas como o Mais Médicos, com a adoção de concursos p├║blicos e carreiras para equipes multiprofissionais, em vez de apenas contratações de médicos por bolsas tempor├írias.

"Só na atenção prim├íria, nesses próximos quatro anos, vamos precisar de R$ 5 bilhões por ano a mais, o que é super vi├ível do ponto de vista econômico", disse.

Ele defendeu que a pol├ştica de atenção prim├íria do SUS é uma das mais sofisticadas do mundo, mas precisa ser posta em pr├ítica de forma mais ampla. "Atenção prim├íria não é para pobre, é pra todos nós", afirmou.


Fonte: Agência Brasil

Comunicar erro
LAPEC

Comentários